quinta-feira, 6 de outubro de 2011


Há um mundo lá fora. Foi iniciada a 22 dias uma campanha salarial com um povo de alma jovem, cheia de esperança e pulsante pelo grito firme que ecoava em coro uniforme: “Queremos salário!!!” Providos de grande energia juntamos nossas armas, abraçamos nossos companheiros de guerra, avisamos nossas família que a luta estaria por vir mas que a vitória seria maravilhosa. Já havíamos movido céus e terras antes, lutamos contra titãs que nos oprimiram por décadas e pisamos em todos. Batalhadores como somos fomos à peleja certos de que conosco estariam todos que sempre nos amaram e por nós lutaram. Grandes líderes já haviam jurado sua lealdade na defesa desse exercito de homens e mulheres que incontestavelmente iriam receber o bem que mereciam. Os inimigos estavam mortos e a paz reinava. Há um mundo lá fora e ele não é assim. Infelizmente, este mundo não é assim.
Como tantos, seguimos nessa luta imaginando que encontraríamos uma mera rotina ao nos lançarmos à  greve. 3 dias, diziam alguns. Não precisa de mais do que até sexta, diziam outros. Onde está o inimigo??? Bradamos em alto e bom som. Pois bem, o inimigo sorrateiramente mostrou sua face. Primeiro disseram que era intriga do grande ego do ministro Paulo Bernardo que seria contido por nossa tropa de elite chamada sindicalistas que estão no poder da empresa. Passado os dias, recebemos a notícia que parte desses sindicalistas hoje apoiavam os devaneios do ministro, envaidecido este decretava o ferimento mortal aos grevistas com o corte dos dias parados. Resistindo a esta afronta nossos heróicos grevistas permaneceram firmes na luta e declarando: quando nossos aliados intervirem eles vão pagar!!! Mas há um mundo lá fora e ele não é assim. Infelizmente, este mundo não é assim.
Ao iniciar a segunda semana  se espalha a notícia. Eureca!!! Os malditos sindicatos nanicos e a associação de chefes são os reais culpados de não termos ganho nosso maravilhoso prêmio!!! Acabaremos com seus planos maléficos e tudo vai dar certo!!! Em disparada seguimos ávidos contra estes mas ... onde estão eles??? Os nanicos são tão nanicos que é difícil até de encontrá-los por aí e os chefes estão ocupados demais entregando cartas. Continuam vencidos como estiveram nos últimos anos. Quem será meu inimigo então??? Segue a segunda semana ...
Ao amanhecer da terceira semana surgi um fato novo. Há boatos de traidores entre nós. Mas como é possível isso se somente temos amigos e todos gostam de nós??? A CUT está conosco, a CTB está conosco, os partidos que hoje mandam no governo federal sempre nos amaram e a eles juramos nossa lealdade por ter sido estes que nos deram tudo o que temos. Nossos negociadores são íntegros e a justiça está do nosso lado. Deve m ser esses malditos nanicos mesmo e agora essa boataria de internet. “Com certeza absoluta o mal está ali nas frases escritas por estes que so querem tumultuar o movimento” afirmaram categoricamente nossas lideranças. Não vendo muito resultado solicitamos reforços: o congresso, eleito por nós nos salvaria e nossa presidenta assim que retorna-se de sua viagem colocaria tudo em seu eixo. Mas há um mundo lá fora e ele não é assim. Infelizmente, este mundo não é assim.
Vigésimo dia de greve. Tensos, somos apresentados a possibilidades ruins e outras piores. Diversos pseudo líderes em todo Brasil já falam em aceitar migalhas. O reforço não vem pois fomos considerados traidores do grande plano de desenvolvimento da nação. Como traidores, merecemos ser exemplarmente punidos para que outros não se insurjam. Olhando no horizonte já podemos ver a silhueta de nosso real oponente. E para muitos, o que era suposição se mostra verdade. Com voracidade o governo federal usa de todas suas armas possíveis contra os trabalhadores, passa por cima de liminares na justiça, decreta que seus asseclas sindicais tomem providencias para matar a greve e julga que desistiremos da luta diante das adversidades. Após um breve espanto, reunimos forças para esta que será a batalha derradeira desta greve. O campo já foi escolhido e o exército está a postos. De forma rasteira, alguns de nosso mais avançado posto de comando mostram suas verdadeiras faces ordenando rendição, porém os guerreiros de forma esmagadora se recusam a se render. Nosso inimigo ferido jura que vai nos matar pela fome e sede ao cortar nossos tickets, ameaça aumentar ainda mais o corte aos nossos salários e esbraveja maldições contra nós. Com fé, nos postamos firmes para mais esta luta, agora olhando bem nitidamente que são nossos adversários. Mas...
Sim senhores e senhoras, esta história ainda terá um final ao qual ninguém conhece. O mundo lá fora aguarda a todos, especialmente aos que estão neste embate precisando de ganhos reais em suas vidas. Então chega de histórias e tons poéticos. O mundo lá fora nos exigi ação e no mundo real nos vai ser exigido mais inteligência, astúcia e menos ingenuidade. Afinal de contas, o inimigo sempre nos enganou com histórias de contos de fada onde o PT era o moço bom e que a categoria era a donzela indefesa a ser salva. O mundo lá fora está cobrando o preço de nossa confiança cega e nós cobraremos a conta deste governo que por muitos anos nos enganou.
Continua...
Pela vitória, assim luto.

Contribuição: Wilson Araujo/Carteiro do Maranhão.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Trabalhadores e Correios chegam a acordo durante audiência do TST


Assembleias em pelo menos 18 dos 35 sindicatos filiados à federação precisam aprovar termos que superaram impasse. Reajuste será de 6,87%, mais R$ 80 lineares. Greve dura 21 dias
Publicado em 04/10/2011, 14:35
Brasília – Representantes dos trabalhadores e da Empresa Brasileira dos Correios e Telégrafos (ECT) alcançaram termos de um acordo nesta terça-feira (4) durante audiência de conciliação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Se a proposta for aprovada em assembleia por pelo menos 18 dos 35 sindicatos filiados à Fentect, federação da categoria, a paralisação será encerrada em todo o país na quinta (6).

Foram quatro horas de sessão, presidida pela vice-presidente da corte, a ministra Maria Cristina Irigoyen Peduzzi,com quatro intervalos. A audiência transformou-se em uma negociação aberta com pausas para que detalhes alterados fossem avaliados pelos dirigentes sindicais e por representantes da estatal. O debate esmiuçou questões específicos da proposta e houve divisão entre os membros do comando nacional dos grevistas – parte ainda manteve-se contra o acordo.

Segundo José Rivaldo da Silva, secretário-geral da Fentect, federação dos trabalhadores da categoria, ainda que a maioria dos dirigentes sindicais concorde, será necessária a aprovação em assembleias de funcionários dos Correios dos 35 sindicatos associados. Pelo estatuto da federação, é necessário que metade mais um dos filiados aprove o fim da paralisação para que a greve acabe em todo o país.

Durante a reunião, o sindicalista deixou claro que, para haver acordo, seria necessária uma proposta de aumento real (acima da inflação) de imediato e não apenas em janeiro, como a empresa oferecia. Para isso, os trabalhadores abriram mão do abono de R$ 500. A ECT propôs inicialmente pagamento parcela dos R$ 80, concordando posteriormente com o  pagamento em uma só vez, após várias consultas à direção.
Por ser condicionada ao fim da greve, a proposta tem eficácia suspensiva, conforme explicou a ministra. Ela comandou os ajustes na proposta formulada pela empresa para tentar alcançar um acordo.

A proposta costurada nesta terça prevê reajuste de 6,87% a partir de agosto (data-base da categoria). Os R$ 80 seriam pagos neste mês. Com isso, o abono de R$ 500 aventado pela empresa deixaria de fazer parte da proposta. Os Correios ofereciam inicialmente o reajuste a partir de janeiro e o aumento linear, em janeiro de 2012.

Sobre o impasse relativo aos dias de paralisação, a estatal aceitava descontar o valor de forma parcelada. Seis dos 21 dias já abatidos dos salários serão inicialmente devolvidos e posteriormente descontados em até 12 parcelas a partir de janeiro do ano que vem. O trabalhador que quiser pode optar pelo desconto em prazo menor.
Os demais 15 dias parados serão compensados com períodos extras de trabalho, para colocar o serviço em dia após três semanas. Se a greve realmente acabar, no próximo fim de semana já pode haver expediente adicional. A compensação não pode ultrapassar a segunda quinzena de maio de 2012.

 

Dificuldade


Nos intervalos da audiência, o presidente da estatal, Wagner Pinheiro, e membros do Ministério do Planejamento foram consultados, por telefone. Larry Almeida, vice-presidente de Recursos Humanos dos Correios, afirmou, durante a sessão, que a proposta apresentada havia sido formulada em conjunto com o Ministério do Planejamento. Para isso, houve uma elevação do orçamento disponível de R$ 500 milhões para R$ 780 milhões. No formato apresentado no TST, esse impacto chegaria a R$ 850 milhões.

Maria Cristina Irigoyen Peduzzi foi a responsável por negar o pedido de liminar dos Correios que queria que a greve fosse considerada abusiva e que se determinasse a suspensão da paralisação, na última sexta-feira (30). Em seu parecer, ela frisou que cabe aos trabalhadores "decidir sobre a oportunidade" do exercício do direito de greve.

O desembargador Macedo Caron, do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT10), que engloba Brasília e o Tocantins, proibiu os Correios de descontar o salário dos trabalhadores que estão em greve, em decisão da última sexta. Ele condicionou a solução a uma fórmula negociada.

Caravanas de trabalhadores de 10 estados foram a Brasília acompanhar a sessão desta terça. Eles aguardaram o final da audiência do lado de fora do tribunal. Se os sindicalistas descartarem a proposta ou se as assembleias a rejeitarem, um relator será designado para o julgamento do dissídio coletivo. Os trabalhadores reivindicavam aumento linear de R$ 200, reposição da inflação de 7,16% e elevação de R$ 807 para R$ 1.635 do piso salarial. Às 20h, alguns grupos de funcionários dos Correios ainda permaneciam diante do TST, parte delas frustrada com os termos do acordo.
FENTECT e Correios chegam a acordo para fim da greve a partir de quinta-feira

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (FENTECT) e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) chegaram a um acordo hoje (4) em audiência no Tribunal Superior do Trabalho para o fim da greve a partir de quinta-feira (6). O acordo será ainda referendado pelas assembleias da categoria em todo o país para surtir efeitos. A Fentect se comprometeu a orientar a categoria para votar pelo final da greve. A audiência foi presidida pela ministra Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, vice-presidente do TST e instrutora do dissídio coletivo instaurado pela ECT.
Pelo acordo, será concedido reajuste de 6,87%, retroativo a 1º de agosto de 2011, e aumento linear de R$ 80,00, a partir de 1º de outubro de 2011. Os Correios se comprometeram a devolver, em folha suplementar, até segunda-feira (10), o desconto já realizado na folha de pagamento de seis dias de paralisação. Esse valor será descontado nos contracheques a partir de janeiro do próximo ano, em 12 vezes (meio dia de trabalho por mês). Os 15 dias restantes em que os empregados ficaram parados serão compensados com trabalho aos sábados e domingos.
Ficou acordado ainda o pagamento de vale alimentação (R$ 25,00), vale cesta (R$ 140,00), vale extra (R$ 575, a ser pago em dezembro de 2011), reembolso creche/babá (R$ 384,95), auxílio para dependente (R$ 611,02) e ressarcimento de gastos com medicamentos de até R$ 28,00 por mês.
Em entrevista coletiva após a audiência, a ministra Cristina Peduzzi se disse emocionada com o acordo, que põe fim a um problema que atinge a toda a sociedade, e se mostrou confiante de que as assembleias de trabalhadores referendem o acordo. Caso isso não ocorra, o dissídio será distribuído para um ministro relator para análise e posterior julgamento pela Seção Especializada em Dissídios Coletivos do TST.

CAMINHADAS: E foi preciso chegarmos a esse ponto de um órgão externo (TST) interferir nas negociações entre a ECT e seus trabalhadores e conciliar (o que não foi feito durante todo período de negociações) para chegar a uma proposta que ainda não é a ideal e precisa ser referendada pela maioria dos sindicatos de todo o país. Fica uma pergunta: aonde estão nossos gestores (todos ex-sindicalistas) que não tiveram habilidade de negociar com as atuais lideranças sindicais?  

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Correios e sindicato entram em acordo para por fim à greve

Funcionários podem voltar ao trabalho na quinta-feira; greve começou dia 14.

Termos do acordo serão antes discutidos com trabalhadores em assembleia.

Fábio Amato do G1, em Brasília

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect), aceitou nessa terça-feira (4) proposta da direção dos Correios para colocar fim à greve que começou no dia 14 de setembro.

O acordo vai ser levado para votação em assembléias e, se aprovado, os funcionários retornam o trabalho na quinta-feira. O documento precisa ter o apoio de pelo menos 18 dos 35 sindicatos vinculados à Fentect para passar a valer.

Os sindicalistas concordaram em ter seis dias de trabalho descontados a partir de janeiro, sendo meio dia por mês, num total de 12 parcelas. Quem preferir, pode autorizar desconto em período menor. O desconto dos dias parados era o principal entrave para um acordo com que colocasse fim à paralisação.

A proposta prevê ainda pagamento de aumento real de R$ 80 retroativo a 1º de outubro.
E o reajuste de 6,87% nos salários e benefícios a partir de 1º agosto. Os trabalhadores também aceitaram trabalhar durante finais de semana e feriados para colocar em dia as entregas atrasadas. Foram quatro horas de negociações até o acordo ser fechado.

"Não foi a melhor proposta, mas foi a proposta possível. Depois de 21 dias de greve, os funcionários estavam ansiosos para voltar ao trabalho", disse o secretário-geral da Fentect, José Rivaldo da Silva.

O vice-presidente de Gestão de Recursos Humanos dos Correios, Larry de Almeida, disse que a previsão é de que as entregas sejam normalizadas até a próxima semana em todos os estados, com exceção de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Nesses três estados, o trabalho deve levar mais tempo. Cerca de 136 milhões de correspondências estão atrasadas hoje no país.

Almeida disse que a negociação com o sindicato foi "difícil", mas afirmou que o acordo "conjuga os interesses dos trabalhadores, da empresa e, acima de tudo, os interesses da sociedade."
Greve nos Correios joga PT contra PT
04/10/2011
Por Raymundo Costa - E-mail raymundo.costa@valor.com.br

VALOR ECONÔMICO-SP
POLÍTICA

Há uma novidade na relação do governo federal com as greves no setor público. A direção dos Correios, que é do PT, resolveu endurecer - como nunca antes nos últimos sete anos - na negociação com os sindicatos da categoria, que é filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Hoje a Justiça do Trabalho realiza a primeira audiência de conciliação, após 21 dias de greve dos carteiros. Ação de dissídio coletivo ajuizada pela ECT.

´´Em oito anos do governo Lula negociei seis greves, uma delas de 21 dias´´, diz o secretário-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores nos Correios, José Rivaldo da Silva. ´´Negociamos com o próprio Lula e não houve desconto de dias parados. Houve compensação´´. A direção dos Correios não aceita fazer acordo em torno dos dias parados.

Rivaldo da Silva explica a distinção: ´´Os carteiros não pedem pura e simplesmente o pagamento dos dias parados, ao final da greve. Eles se comprometem a compensá-los trabalhando fora do horário normal do expediente´´. Aos sábados, por exemplo.

Dilma endurece com paralisações no funcionalismo

A impressão de Rivaldo da Silva é que a ECT colocou a questão do ´´desconto´´ na folha de pagamentos como questão de honra. Assim levaria os funcionários a pensar duas vezes antes de decretar uma greve no próximo ano. Nos Correios, a expressão empregada é ´´reeducação´´ do movimento sindical, para irritação dos sindicalistas.

A percepção de Rivaldo da Silva não é desproposital. A presidente Dilma Rousseff tem registrado ´´ameaças´´ de paralisações de algumas categorias de primeira linha do serviço público, como as de servidores da Polícia Federal e da Secretaria da Receita Federal, e a todos os ´´recados´´ tem respondido da mesma maneira: não vai ceder nas negociações: 2011 é igual a zero de aumento. Pelo menos nesses dois casos.

Os servidores da PF e da SRF integram carreiras de Estado e estão entre os mais bem remunerados do funcionalismo público, o que não é o caso dos carteiros. A ECT fez uma contraproposta: inflação do periodo (6,87%), mais R$ 50 de reajuste linear para todos e a inflação nos demais benefícios, como vale refeição, auxilio-creche. A proposta foi recusada pela categoria.

Os Correios estão na linha de tiro da presidente por outro motivo. A ECT é um dos três órgãos públicos nos quais botou um ´´xerife´´ para organizar a casa, desarrumada após anos de gestão rateada entre os partidos integrantes da base aliada do governo.

As outras duas são a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e Furnas Centrais Elétricas, não por acaso, até recentemente domínios do PMDB. Um escândalo nos Correios foi a ponta do fio do novelo que levou até o mensalão, o esquema supostamente de compra de votos (há quem diga que se tratou de caixa 2 de campanha) pelo governo Lula no Congresso.

O jogo duro da direção dos Correios é o que efetivamente ´´prejudica a população´´, diz Rivaldo da Silva, invertendo responsabilidade em geral atribuída aos grevistas, nos movimentos paredistas. São cerca de 40 milhões de objetos que deixam de ser diariamente entregues em todo o país. O desabafo de Rivaldo da Silva é feito na medida exata das dificuldades registradas na atual negociação.

´´O que o presidente da ECT, que é do PT, foi do Sindicato dos Bancários, Wagner Pinheiro, tá fazendo é terrorismo´´, diz Rivaldo da Silva. ´´Você sabia que ele antecipou o pagamento da folha, com descontos dos dias parados, só para fazer terrorismo, agitar ainda mais a categoria´´?

ACM ´´foi o nosso algoz´´, diz Rivaldo da Silva, referindo-se ao senador baiano Antônio Carlos Magalhães, ministro das Comunicações no governo José Sarney, morto em 2007) ´´ Ele (Wagner) é pior do que o ACM Nem ACM fez isso. Houve desconto com ACM, sim, mas até ele esperava terminar a greve para tomar uma decisão como essa. Nunca houve antecipação de folha de pagamento com desconto para apavorar´´.

Rivaldo participou de cinco negociações com o PMDB, ´´que a gente tanto quis fora da empresa´´. E nas quatro greves realizadas com os pemedebistas na diretoria, ´´a negociação era estabelecida, abria-se imediatamente um canal de diálogo, de negociação para achar uma solução, uma proposta aceita pela base´´, conta. ´´Infelizmente, com os companheiros do PT não estamos encontrando a mesma abertura para o diálogo. E, olhe que iniciamos a negociação da data base há 46 dias e até agora não chegamos a um entendimento, a uma proposta que fosse defensável nas nossas assembleias´´.

A reação do ministro Paulo Bernardo (Comunicações), a quem está subordinada a ECT, também deixou perplexo o comando de greve na empresa. Basta ver o espanto demonstrado por Rivaldo da Silva: ´´Ele disse que os trabalhadores dos Correios não estão de greve, mas de férias. Não falei que está pior do que na época do ACM e que é mais fácil negociar com o PMDB´´?

Sem acordo com o ministério nem com a presidência da ECT, os grevistas tentaram vias alternativas. Além da diretoria de Recursos Humanos dos Correios, os sindicalistas também procuraram o assessor para assuntos sindicais do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência), José Lopes Feijóo, que renunciou a uma vice-presidência da CUT para trabalhar no Palácio do Planalto. Deu em nada, muito embora os sindicalistas ressalvem que Feijóo tentou ajudar.

Digno de registro é o fato de que os trabalhadores nos Correios nem sequer pensaram em pedir a intermediação do ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Há outras greves em andamento no país, como a dos bancários, mas nenhuma notícia sobre o envolvimento do ministro do PDT em negociações com os trabalhadores. Nem de que ele esteja fazendo falta à mesa.

´´A gente vê horizonte para conseguir um reajuste, mas não vê horizonte para se chegar a um acordo quanto a dias parados´´, diz Rivaldo Dias. ´´E a gente pensava que era gente nossa´´. De acordo com o sindicalista, o desconto dos dias parados ´´coloca mais combustível´´ na greve. ´´Lamentamos isso que está ocorrendo com a nova diretoria da ECT´´.

Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras

Funcionários dos correios terão dia de mobilização em Brasília e audiência no TST

A terça-feira (4) será de mobilização em Brasília com a chegada de caravanas de funcionários dos correios - em greve desde o último dia 14 de setembro.  Representantes de São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Bahia e Minas vão se concentrar, a partir das 8h, em frente à sede da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), para um ato público. A mobilização pretende reforçar a luta dos trabalhadores em busca de melhorias nas condições salariais. Eles também querem acompanhar de perto a primeira reunião de conciliação do dissídio coletivo, marcada para as 13h, na sede do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
 O dissídio coletivo da categoria foi encaminhado ao TST na semana passada, a pedido da ECT, depois que a empresa e os representantes da Federação Nacional dos Trabalhadores de Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) não chegaram a um acordo nas negociações salariais da categoria. A audiência de conciliação é a primeira parte do processo de dissídio coletivo e será presidida pela ministra Maria Cristina Peduzzi.
Durante o encontro serão ouvidas as partes, colhido documentos e há a possibilidade de formulação de uma proposta, por parte da ministra, que possa levar as partes ao consenso e assim, a desistência do dissídio. Caso contrário, o processo será encaminhado a um relator e o processo irá a julgamento.
“As questões econômicas emperraram a negociação, embora o que mais tenha aparecido na seja o fato da categoria não aceitar o desconto dos dias parados”, explica o secretário geral da Fentect, José Rivaldo da Silva. “A última proposta da empresa, de reposição da 6,87% e ganho real de pouco mais de 3% confundiu muita gente, mas a verdade é que estes três por cento só chegariam ao bolso dos funcionários em janeiro de 2012”, explica. “Eles falaram em 9,9%, mas esse percentual está com sua ótica distorcida”. 
Segundo Rivaldo, a greve e a mobilização nacional são uma tentativa de sensibilizar o governo e a própria empresa das condições de trabalho de 110 mil funcionários. “Os pisos salariais dos carteiros (R$ 807) e também de outras categorias que ingressam na ECT, como advogados, analistas de TI, jornalistas são os mais baixos se comparados com outras empresas públicas. Existe um déficit de cerca de 30 mil funcionários, por conta dos empregados que saíram em programas de demissão voluntária e não foram repostos, além dos mais de nove mil empregados que estão afastados por problemas de saúde. O volume de entregas dos Correios chega 35 milhões por dia e os trabalhadores estão sobrecarregados e insatisfeitos”, admite.
Na última quinta-feira (29/09), depois de oficializar sua contraproposta e vê-la rechaçada pela categoria, a ECT protocolou o pedido de ajuizamento de dissídio no TST. A empresa também entrou com pedido de liminar para que a greve dos funcionários fosse considerada abusiva. Mas a ministra Maria Cristina Peduzzi, em seu despacho, indeferiu o pedido de liminar e marcou a primeira audiência de conciliação para esta terça-feira, dia 4.

NOTA DA CUT SOBRE A GREVE DOS CORREIOS

Os trabalhadores e trabalhadoras dos Correios, através da FENTECT - Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos, entregaram sua pauta nacional de reivindicações à direção dos Correios no mês de julho.

Os trabalhadores dos Correios estão em luta por melhores salários e condições de trabalho, pelos Correios público e de qualidade. Mas, após dois meses de tentativas de negociação, não houve nenhum avanço e as reivindicações não foram atendidas. Assim, os trabalhadores deliberaram pela greve.

A greve dos trabalhadores e das trabalhadoras dos Correios é legítima e tem todo o apoio da CUT.

Não aceitamos que a direção da ECT, intransigente, se recuse a receber os trabalhadores em greve, além de ameaçar descontar os dias da paralisação antes mesmo de qualquer negociação.

Esta postura autoritária e antissindical da direção da ECT e do Ministério das Comunicações merece o repúdio de todos.

Solicitamos que as Entidades Cutistas enviem mensagens para o presidente da ECT, Wagner Pinheiro (presidencia@correios.com.br), a ministra do Planejamento, Miriam Belchior (ministra@planejamento.gov.br) e o Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo (gabinete@mc.gov.br)

Executiva Nacional da CUT